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Depósito de Textos Literários

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31 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Abr 01, 2012 12:58 pm

White

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:slayer:

http://www.rockandtudo.com

32 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Abr 01, 2012 1:04 pm

Madruguis Extremis

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Neve neva água gelada
Neve chove chuva molhada
Chove chovendo a neve que mata
Cai do céu gente sangrando
A neve é a morte
A chuva é o sangue
O mundo incoberto
Pela raiva humana
Sangue satânico
Culto infernal
Destrói e corrói
A alma do mortal
Sofrimento e sangue
É o meu mal
Chove e neva..
Nesse mundo infernal

SANGUE!
SANGUE!
Salvamos o nosso Rei!
Chove e neva
A morte o espera.

- War (MaDrugs ExTremis).

33 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Abr 01, 2012 1:05 pm

Madruguis Extremis

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:41: layer

34 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Abr 01, 2012 1:06 pm

Madruguis Extremis

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Esse tópico, agora, tem a bênção de Zé Cu de Margarina.

35 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Abr 01, 2012 1:08 pm

Álvaro Headbanger

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Onde a Morte Parece Habitar
"Através de um vale escuro e desolado, ele anda
Pálido, fogos cintilantes iluminam o caminho
Ao longo de um rio congelado está a caminho
O céu de um cinza escurecido

Um vento frio penetra em seus ossos
E as pedras afiadas cortam seus pés
Suas roupas e pele são rasgadas por espinhos
Seus olhos parecem sangrar "

A terra é morta e seca
A água é venenosa
Criaturas desconhecidas uivam para o céu
Sangue frio e voraz

O ar é espesso e denso
Um cheiro de carne podre
Cada respiração é como mil facadas
Cortando o seu peito

Urubus circulam no céu
Ele ouve o as sombras gemerem
Ele vê rostos pálidos passar por ele
Mas ele anda esse caminho sozinho

Escuridão enche seu coração com um medo congelante
Um medo desconhecido que ele não pode dominar
Como ele sempre acaba aqui?
Este lugar onde a morte parece habitar

Ele repete a pergunta em sua mente cansada
O enigma não lhe dá descanso
No entanto, ele sabe a resposta no fundo
Ele foi tocado pelo frio da morte

Vozes encantadoras o incitam
A sua vontade de dar a volta
Eles cantam a ele com palavras reconfortantes
Uma gelada e crepidante canção

Um brilho de luz azul em frente
Quando uma montanha chega ao céu
Nidafiell, montanha dos mortos
Horripilante é talvez

Ele se aproxima dos portões
Seu coração é frio
Ele entende tudo tão bem
Ela o espera
A verdade se revela
Ele foi enviado para Nifelhel

36 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Abr 01, 2012 1:12 pm

A.L.

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Madruguis Extremis escreveu: :41: layer

Slayer!
Llayer?
Alayer?
Ylayer?
Elayer?
Rlayer?

37 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Abr 01, 2012 1:22 pm

White

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Madruguis Extremis escreveu:Esse tópico, agora, tem a bênção de Zé Cu de Margarina.

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk porque eu ri disso?

http://www.rockandtudo.com

38 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Abr 01, 2012 1:36 pm

Madruguis Extremis

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White escreveu:
Madruguis Extremis escreveu:Esse tópico, agora, tem a bênção de Zé Cu de Margarina.

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk porque eu ri disso?
pagode lelelele

39 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Abr 01, 2012 3:35 pm

Madruguis Extremis

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Nirvana

40 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Abr 01, 2012 3:35 pm

Madruguis Extremis

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Slayer

41 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Abr 01, 2012 3:36 pm

Madruguis Extremis

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The Allman Brothers Band

42 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Abr 01, 2012 3:36 pm

Madruguis Extremis

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The Who

43 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Abr 01, 2012 3:36 pm

Madruguis Extremis

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Pokémon

44 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Abr 01, 2012 4:05 pm

Álvaro Headbanger

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Hitler, JustinBieber & Vader went to hell.

They met the Devil sitting on his throne, He asks them why they're in hell.

Hitler: I killed 20 million poeple & caused a holocaust on the Jewish population.

Devil: Good, good. Sit to my right.

Bicha: I poisned the world of music with my little faggy voice that irritates every normal person in the world.

Devil: You're such a asshole. Well done, sit to my left. *Looks at Vader*

And why are you here?

Vader: Get off my throne bitch

45 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Abr 01, 2012 4:06 pm

Renato Luiz

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Odeio flood

http://egocerebral.blogspot.com

46 Re: Depósito de Textos Literários em Seg Ago 11, 2014 1:00 pm

Renato Luiz

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Think 

Spoiler:
Capítulo 1 – A realidade

Polly era um homem capaz de tudo. Morava em uma casa, sozinho, tinha poucos amigos, mas muitos planos. Ninguem o conhecia, pois ficava o tempo todo trancado em seu quarto. No entanto, isso logo mudaria, pois ele seria conhecido por todos. Certo dia, em uma manhã chuvosa, estava ele andando com seu terno cinza, aparentemente sem rumo. Carregava uma maleta misteriosa, e a iria entregar a alguém não menos misterioso. Estava encarregado de uma missão, na qual nem ele mesmo sabia ao certo qual era o objetivo, nem ao menos para quem estava trabalhando. Era um homem misterioso; sua vida, mais ainda.
- Finalmente - disse o homem velho – você está catorze segundos atrasado.
- Treze – replicou Polly – foi proposital. Treze é meu número da sorte.
-E quinhentos mil é o meu – o velho era de uma elegância e soberba sem igual. Seu rosto enrrugado era a máscara perfeita para quem ele realmente era: frio, metódico e maquiavélico. Dois capangas o acompanhavam, um de cada lado. Um deles era um rapaz magro, de boina e cavanhaque. O outro, alto, negro e digamos, excêntrico. Usava brincos de ossos, e um terno púrpura, que cobria seu corpo forte e tatuado. Bem, talvez fossem mais do que capangas.
Polly entregou a maleta. O velho a abriu: dinheiro, muitas cédulas amarradas, que deveriam totalizar…
- Quinhentos mil, exatamente – confirmou ele. Então, virou a maleta, e todo o dinheiro caiu no chão. Em seguida, acendeu um isqueiro e queimou toda a fortuna.
- Seu louco! – Polly porém, sabia que o homem à sua frente sabia o que estava fazendo. As chamas tornaram-se esverdeadas, e sua fumaça era branca. O cheiro, de sangue. Havia algo errado.
- Está tudo certo – disse o velho. E deu uma risada. Dentro da maleta, havia um anel, que outrora estava oculto pelo dinheiro. Por alguma razão, Polly percebeu que aquele anel não era uma jóia comum, pois o anel carregava uma aura de maldade e misticismo que o tornava impossível de descrever. Como se fosse o objeto mais poderoso da face da terra.
O anel escorregou da mão do velho, e ao atingir o chão, partiu-se.
- O quê? – dessa vez, Polly estava mesmo surpreso. Qual era o propósito de tudo aquilo afinal?
O velho, como se lesse sua mente, com sua mais sábia resposta, desvendou o enigma:
- Eu não sei – disse ele simplesmente. E foi nesse momento derradeiro, que um camelo roxo atravessou o céu, voando em alta velocidade.




ironic

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47 Re: Depósito de Textos Literários em Seg Ago 11, 2014 2:06 pm

Otávio

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O valioso tempo dos maduros
Spoiler:
Mário de Andrade escreveu:Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro. Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltavam poucas, roeu o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.

Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,

O essencial faz a vida valer a pena.

E para mim, basta o essencial!
Spoiler:

48 Re: Depósito de Textos Literários em Seg Ago 11, 2014 2:09 pm

Otávio

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Spoiler:
Carlos Drummond:
Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.
Se quer fumar um charuto aperte um botão.
Paletós abotoam-se por eletricidade.
Amor se faz pelo sem-fio.
Não precisa estômago para digestão.

49 Re: Depósito de Textos Literários em Sex Ago 22, 2014 12:58 pm

Otávio

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Machadão escreveu:Mete dinheiro na bolsa – ou no bolso, diremos hoje, e anda, vai para diante, firme, confiança na alma, ainda que tenhas feito algum negócio escuro. Não há escuridão quando há fósforos. Mete dinheiro no bolso. Vende-te bem, não compres mal os outros, corrompe e sê corrompido, mas não te esqueças do dinheiro, que é com que se compram os melões. Mete dinheiro no bolso.
IronicNice

50 Re: Depósito de Textos Literários em Sex Ago 22, 2014 1:19 pm

Renato Luiz

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Poema Negro, Augusto dos Anjos

A Santos Neto

Para iludir minha desgraça, estudo.
Intimamente sei que não me iludo.
Para onde vou (o mundo inteiro o nota)
Nos meus olhares fúnebres, carrego
A indiferença estúpida de um cego
E o ar indolente de um chinês idiota!

A passagem dos séculos me assombra.
Para onde irá correndo minha sombra
Nesse cavalo de eletricidade?!
Caminho, e a mim pergunto, na vertigem:
- Quem sou? Para onde vou? Qual minha origem?
E parece-me um sonho a realidade.

Em vão com o grito do meu peito impreco!
Dos brados meus ouvindo apenas o eco,
Eu torço os braços numa angústia douda
E muita vez, à meia-noite, rio
Sinistramente, vendo o verme frio
Que há de comer a minha carne toda!

É a Morte - esta carnívora assanhada -
Serpente má de língua envenenada
Que tudo que acha no caminho, come...
- Faminta e atra mulher que, a 1 de janeiro,
Sai para assassinar o mundo inteiro,
E o mundo inteiro não lhe mata a fome!

Nesta sombria análise das cousas,
Corro. Arranco os cadáveres das lousas
E as suas partes podres examino. . .
Mas de repente, ouvindo um grande estrondo,
Na podridão daquele embrulho hediondo
Reconheço assombrado o meu Destino!

Surpreendo-me, sozinho, numa cova.
Então meu desvario se renova...
Como que, abrindo todos os jazigos,
A Morte, em trajos pretos e amarelos,
Levanta contra mim grandes cutelos
E as baionetas dos dragões antigos!

E quando vi que aquilo vinha vindo
Eu fui caindo como um sol caindo
De declínio em declínio; e de declínio
Em declínio, como a gula de uma fera,
Quis ver o que era, e quando vi o que era,
Vi que era pó, vi que era esterquilínio!

Chegou a tua vez, oh! Natureza!
Eu desafio agora essa grandeza,
Perante a qual meus olhos se extasiam.
Eu desafio, desta cova escura,
No histerismo danado da tortura
Todos os monstros que os teus peitos criam.

Tu não és minha mãe, velha nefasta!
Com o teu chicote frio de madrasta
Tu me açoitaste vinte e duas vezes...
Por tua causa apodreci nas cruzes,
Em que pregas os filhos que produzes
Durante os desgraçados nove meses!

Semeadora terrível de defuntos,
Contra a agressão dos teus contrastes juntos
A besta, que em mim dorme, acorda em berros
Acorda, e após gritar a última injúria,
Chocalha os dentes com medonha fúria
Como se fosse o atrito de dois ferros!

Pois bem! Chegou minha hora de vingança.
Tu mataste o meu tempo de criança
E de segunda-feira até domingo,
Amarrado no horror de tua rede,
Deste-me fogo quando eu tinha sede...
Deixa-te estar, canalha, que eu me vingo!

Súbito outra visão negra me espanta!
Estou em Roma. É Sexta-feira Santa.
A treva invade o obscuro orbe terrestre.
No Vaticano, em grupos prosternados,
Com as longas fardas rubras, os soldados
Guardam o corpo do Divino Mestre.

Como as estalactites da caverna,
Cai no silêncio da Cidade Eterna
A água da chuva em largos fios grossos...
De Jesus Cristo resta unicamente
Um esqueleto; e a gente, vendo-o, a gente
Sente vontade de abraçar-lhe os ossos!

Não há ninguém na estrada da Ripetta.
Dentro da Igreja de São Pedro, quieta,
As luzes funerais arquejam fracas...
O vento entoa cânticos de morte.
Roma estremece! Além, num rumor forte,
Recomeça o barulho das matracas.

A desagregação da minha idéia
Aumenta. Como as chagas da morféia
O medo, o desalento e o desconforto
Paralisam-se os círculos motores.
Na Eternidade, os ventos gemedores
Estão dizendo que Jesus é morto!

Não! Jesus não morreu! Vive na serra
Da Borborema, no ar de minha terra,
Na molécula e no átomo... Resume
A espiritualidade da matéria
E ele é que embala o corpo da miséria
E faz da cloaca uma urna de perfume.

Na agonia de tantos pesadelos
Uma dor bruta puxa-me os cabelos,
Desperto. É tão vazia a minha vida!
No pensamento desconexo e falho
Trago as cartas confusas de um baralho
E um pedaço de cera derretida!

Dorme a casa. O céu dorme. A árvore dorme.
Eu, somente eu, com a minha dor enorme
Os olhos ensangüento na vigília!
E observo, enquanto o horror me corta a fala,
O aspecto sepulcral da austera sala
E a impassibilidade da mobília.

Meu coração, como um cristal, se quebre
O termômetro negue minha febre,
Torne-se gelo o sangue que me abrasa,
E eu me converta na cegonha triste
Que das ruínas duma casa assiste
Ao desmoronamento de outra casa!

Ao terminar este sentido poema
Onde vazei a minha dor suprema
Tenho os olhos em lágrimas imersos...
Rola-me na cabeça o cérebro oco.
Por ventura, meu Deus, estarei louco?!
Daqui por diante não farei mais versos.



Última edição por Renato em Sex Ago 22, 2014 1:26 pm, editado 1 vez(es)

http://egocerebral.blogspot.com

51 Re: Depósito de Textos Literários em Sex Ago 22, 2014 1:24 pm

Otávio

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Brás Cubas …………………….?

Virgília …………………………..

Brás Cubas ……………………..

……………………………………

Virgília …………………………!

Brás Cubas …………………….

Virgília …………………………

………………..?……………….

…………………………………..

Brás Cubas …………………

………………….!……………

………………………….!……

………………………………………!

Virgília ……………………..?

Brás Cubas …………………..!

Virgília ……………………….!
 HUE 

52 Re: Depósito de Textos Literários em Sab Ago 23, 2014 12:14 am

Otávio

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Izacyl Guimarães Ferreira escreveu:Ah! a opinião pública!
Segundo as mais recentes pesquisas,
25% querem,
25% não querem,
25% não sabem
e 25% não querem saber.
É certo que 33,33% têm medo,
que 33,33% não têm medo
e que 33,33% emudeceram.
Apurou-se também que
36,4% acreditam em parte, enquanto 33,7% não acreditam em nada,
29,4% querem crer, não importa no que,
23,2% são absolutamente céticos,
28,6% são absolutamente crédulos e 39,5% dão respostas múltiplas desesperadas.
Sabe-se hoje que 38% já foram antes,
32% nunca foram,
19% não lembram como era,
24% ainda não esqueceram,
47% não faziam a menor idéia e 76% ficaram perplexos.
Podemos concluir que:
X% estão certos
Y% estão fartos
N% estão mortos

53 Re: Depósito de Textos Literários em Qua Set 24, 2014 2:46 pm

Otávio

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Eça Queiroez escreveu:O Pessimismo é uma teoria bem consoladora para os que sofrem, porque desindividualiza o sofrimento, alarga-o até o tornar uma lei universal, a lei própria da Vida; portanto lhe tira o carácter pungente de uma injustiça especial, cometida contra o sofredor por um Destino inimigo e faccioso! Realmente o nosso mal sobretudo nos amarga quando contemplamos ou imaginamos o bem do nosso vizinho - porque nos sentimos escolhidos e destacados para a Infelicidade, podendo, como ele, ter nascido para a Fortuna. Quem se queixaria de ser coxo - se toda a humanidade coxeasse? E quais não seriam os urros, e a furiosa revolta do homem envolto na neve e friagem e borrasca de um Inverno especial, organizado nos céus para o envolver a ele unicamente - enquanto em redor toda a humanidade se movesse na benignidade de uma Primavera? (...) O Pessimismo é excelente para os Inertes, porque lhes atenua o desgracioso delito da Inércia.
valeu o livro já Notbad

54 Re: Depósito de Textos Literários em Sab Out 11, 2014 12:23 am

A.L.

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The Raven:
E.A. Poe escreveu:Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais."

Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora,
E que ninguém chamará jamais.

E o rumor triste, vago, brando,
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui no peito,
Levantei-me de pronto e: "Com efeito
(Disse) é visita amiga e retardada
Que bate a estas horas tais.
É visita que pede à minha porta entrada:
Há de ser isso e nada mais."

Minhalma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo e desta sorte
Falo: "Imploro de vós - ou senhor ou senhora -
Me desculpeis tanta demora.
Mas como eu, precisando de descanso,
Já cochilava, e tão de manso e manso
Batestes, não fui logo prestemente,
Certificar-me que aí estais."
Disse: a porta escancaro, acho a noite somente,
Somente a noite, e nada mais.

Com longo olhar escruto a sombra,
Que me amedronta, que me assombra,
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta:
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu como um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.

Entro co'a alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais tarde; eu, voltando-me a ela:
Seguramente, há na janela
Alguma coisa que sussurra. Abramos.
Ela, fora o temor, eia, vejamos
A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais.
Devolvamos a paz ao coração medroso.
Obra do vento e nada mais."

Abro a janela e, de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre Corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
De um lord ou de uma lady. E pronto e reto
Movendo no ar as suas negras alas.
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta, em um busto de Palas;
Trepado fica, e nada mais.

Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gesto severo - o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: "Ó tu que das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize os teus nomes senhoriais:
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"
E o Corvo disse: "Nunca mais."

Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que lhe eu fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Coisa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta,
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta e dizer em resposta
Que este é o seu nome: "Nunca mais."

No entanto, o Corvo solitário
Não teve outro vocabulário,
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda sua alma resumisse.
Nenhuma outra proferiu, nenhuma,
Não chegou a mexer uma só pluma,
Até que eu murmurei: "Perdi outrora
Tantos amigos tão leais!
Perderei também este em regressando a aurora."
E o Corvo disse: "Nunca mais."

Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
"Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
Que ele trouxe da convivência
De algum mestre infeliz e acabrunhado
Que o implacável destino há castigado
Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
Que dos seus cantos usuais
Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
Esse estribilho: "Nunca mais."

Segunda vez, nesse momento,
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao Corvo magro e rudo;
E mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera
Achar procuro a lúgubre quimera.
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: "Nunca mais."

Assim, posto, devaneando,
Meditando, conjecturando,
Não lhe falava mais; mas se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava,
Conjecturando fui, tranqüilo, a gosto,
Com a cabeça no macio encosto,
Onde os raios da lâmpada caiam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam,
E agora não se esparzem mais.

Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso.
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível;
E eu exclamei então: "Um Deus sensível
Manda repouso à dor que te devora
Destas saudades imortais.
Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora."
E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
Onde reside o mal eterno,
Ou simplesmente náufrago escapado
Venhas do temporal que te há lançado
Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
Tem os seus lares triunfais,
Dize-me: "Existe acaso um bálsamo no mundo?
"E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
Por esse céu que além se estende,
Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
No Éden celeste a virgem que ela chora
Nestes retiros sepulcrais.
Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!"
E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Ave ou demônio que negrejas!
Profeta, ou o que quer que sejas!
Cessa, ai, cessa!, clamei, levantando-me, cessa!
Regressa ao temporal, regressa
À tua noite, deixa-me comigo.
Vai-te, não fica no meu casto abrigo
Pluma que lembre essa mentira tua,
Tira-me ao peito essas fatais
Garras que abrindo vão a minha dor já crua."
E o Corvo disse: "Nunca mais."

E o Corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais!



Última edição por A.L. em Dom Dez 13, 2015 1:31 am, editado 1 vez(es)

55 Re: Depósito de Textos Literários em Ter Out 14, 2014 10:56 pm

Marcos_

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Nicholas Weinberg escreveu:

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‎"Fracassei
em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças
brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei
fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil
desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas
vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu."
É apenas uma citação, nada a ver, mas gosto muito desse trecho

56 Re: Depósito de Textos Literários em Qua Nov 19, 2014 6:56 pm

Otávio

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Manuel de Barros escreveu:
O apanhador de desperdícios

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios

57 Re: Depósito de Textos Literários em Qua Nov 19, 2014 8:25 pm

Jaspion-origami

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58 Re: Depósito de Textos Literários em Qua Nov 19, 2014 8:49 pm

White

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Marcos_ escreveu:
Nicholas Weinberg escreveu:

[Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]



‎"Fracassei
em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças
brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei
fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil
desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas
vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu."
É apenas uma citação, nada a ver, mas gosto muito desse trecho

apesar de não concordar com quase nada de Darcy Ribeiro, gosto desse trcho também.

http://www.rockandtudo.com

59 Re: Depósito de Textos Literários em Qua Nov 19, 2014 9:46 pm

Satur(n)days

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John Keats - Ao Outono:


I

Quadra das névoas, do fecundo j’maduro,
Amiga íntima do sol, o que sazona,
Com quem suspiras por benzer e carregar
As vides que se estendem nos beirais de palha;
Por vergar de maçãs as árvores musgosas
Da cabana, e adoçar os frutos até o centro,
Expandir o cocombro e inchar as avelãs
Com doce amêndoa; por fazer brotarem mais
E mais as flores temporãs, para as abelhas
Que julgam não ter fim os dias de calor,
Já que o verão levou seus favos a escorrer.

II

Quem não te viu amiúde em meio às tuas posses?
Às vezes quem sai buscando pode achar-te
Sentada, descuidosa, em chão de algum celeiro,
Cabelo erguido pelo vento de uma joeira;
Ou a dormir em campo já semiceifado,
Tonta de eflúvio da papoula, enquanto a foice
Poupa a fileira contígua e as flores enlaçadas;
Como respigadora atravessando o riacho
Manténs a fronte erguida ao peso de seu fardo
Ou vês, hora após hora, os últimos gotejos,
Quando observas, paciente, a prensa para sidra.

III

Onde as canções da primavera? Onde é que estão?
Não penses nelas, também tens a tua música.
Nuvens estriadas floram o cair do dia,
Tocando de cor rósea as jeiras não semeadas
Então em coro os mosquitinhos se lamentam
Entre os chorões do rio, cujos ramos sobem
Ou descem, quando vive ou morre o vento leve;
E da orla das colinas balem os cordeiros;
Zinem grilos na sebe; e com um dulçor agudo
Pia o pisco-de-peito-ruivo num quintal
E em bando as andorinhas chilram pelos céus.

60 Re: Depósito de Textos Literários em Sab Nov 29, 2014 12:49 am

Renato Luiz

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Que coincidência Think eu sigo uma página de poesia no facebook, aí hoje postaram isso

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Esse Renan Tempest era do yahoo, ele até comentou no meu blog uma vez Think

http://egocerebral.blogspot.com

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