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Depósito de Textos Literários

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1 Depósito de Textos Literários em Dom Fev 26, 2012 8:58 pm

Renato Luiz

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Postem contos, crônicas, fábulas, poemas, links para livros, etc etc

Vamos começar com um dos melhores contos de Machado de Assis

O Alienista

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2 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Fev 26, 2012 8:59 pm

Renato Luiz

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E também com o conto que foi postado hoje mais cedo

Atenção: não leia se tiver estômago fraco

Guts (Entranhas) - Chuck Palahniuk

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3 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Fev 26, 2012 9:22 pm

Álvaro Headbanger

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O gato preto

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Os Fatos que Envolveram o Caso de Mr. Valdemar (conto de suspense mais foda do mundo)

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Eu sou Ozzy (só trecho)

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A revolução dos bichos - George Orwell

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4 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Fev 26, 2012 9:22 pm

Lucas!

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Caramba, não tenho o habito de ler, mas acho que outro alguém deve dar a atenção!
\/

5 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Fev 26, 2012 9:30 pm

Renato Luiz

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Alguns contos meus

Cemitério de Esperanças
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Tédio
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6 Re: Depósito de Textos Literários em Sex Mar 09, 2012 11:31 pm

Renato Luiz

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Antífona - Cruz e Souza

Ó Formas alvas, brancas, Formas claras
De luares, de neves, de neblinas!
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...
Incensos dos turíbulos das aras

Formas do Amor, constelarmante puras,
De Virgens e de Santas vaporosas...
Brilhos errantes, mádidas frescuras
E dolências de lírios e de rosas ...

Indefiníveis músicas supremas,
Harmonias da Cor e do Perfume...
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,
Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume...

Visões, salmos e cânticos serenos,
Surdinas de órgãos flébeis, soluçantes...
Dormências de volúpicos venenos
Sutis e suaves, mórbidos, radiantes...

Infinitos espíritos dispersos,
Inefáveis, edênicos, aéreos,
Fecundai o Mistério destes versos
Com a chama ideal de todos os mistérios.

Do Sonho as mais azuis diafaneidades
Que fuljam, que na Estrofe se levantem
E as emoções, todas as castidades
Da alma do Verso, pelos versos cantem.

Que o pólen de ouro dos mais finos astros
Fecunde e inflame a rima clara e ardente...
Que brilhe a correção dos alabastros
Sonoramente, luminosamente.

Forças originais, essência, graça
De carnes de mulher, delicadezas...
Todo esse eflúvio que por ondas passa
Do Éter nas róseas e áureas correntezas...

Cristais diluídos de clarões alacres,
Desejos, vibrações, ânsias, alentos
Fulvas vitórias, triunfamentos acres,
Os mais estranhos estremecimentos...

Flores negras do tédio e flores vagas
De amores vãos, tantálicos, doentios...
Fundas vermelhidões de velhas chagas
Em sangue, abertas, escorrendo em rios...

Tudo! vivo e nervoso e quente e forte,
Nos turbilhões quiméricos do Sonho,
Passe, cantando, ante o perfil medonho
E o tropel cabalístico da Morte...

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7 Re: Depósito de Textos Literários em Sex Mar 09, 2012 11:33 pm

Renato Luiz

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Satã - Cruz e Souza

Capro e revel, com os fabulosos cornos
Na fronte real de rei dos reis vetustos,
Com bizarros e lúbricos contornos,
Ei-lo Satã dentre os Satãs augustos.

Por verdes e por báquicos adornos
Vai c'roado de pâmpanos venustos
O deus pagão dos Vinhos acres, mornos,
Deus triunfador dos triunfadores justos.

Arcangélico e audaz, nos sóis radiantes,
A púrpura das glórias flamejantes,
Alarga as asas de relevos bravos...

O Sonho agita-lhe a imortal cabeça...
E solta aos sóis e estranha e ondeada e espessa
Canta-lhe a juba dos cabelos flavos!

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8 Re: Depósito de Textos Literários em Sex Mar 09, 2012 11:34 pm

Renato Luiz

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Acrobata da Dor - Cruz e Souza

Gargalha, ri, num riso de tormenta,
como um palhaço, que desengonçado,
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
de uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
agita os guizos, e convulsionado
salta, gavroche, salta, clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta...

Pedem-te bis e um bis não se despreza!
Vamos, retesa os músculos, retesa
nessas macabras piruetas d'aço...

E embora caias sobre o chão, fremente,
afogado em teu sangue estuoso e quente,
ri! Coração, tristíssimo palhaço.

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9 Re: Depósito de Textos Literários em Sex Mar 09, 2012 11:35 pm

Renato Luiz

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Violões que Choram - Cruz e Souza

Spoiler:


Ah! plangentes violões dormentes, mornos,
Soluços ao luar, choros ao vento...
Tristes perfis, os mais vagos contornos,
Bocas murmurejantes de lamento.

Noites de além, remotas, que eu recordo,
Noites da solidão, noites remotas
Que nos azuis da Fantasia bordo,
Vou constelando de visões ignotas.

Sutis palpitações a luz da lua,
Anseio dos momentos mais saudosos,
Quando lá choram na deserta rua
As cordas vivas dos violões chorosos.

Quando os sons dos violões vão soluçando,
Quando os sons dos violões nas cordas gemem,
E vão dilacerando e deliciando,
Rasgando as almas que nas sombras tremem.

Harmonias que pungem, que laceram,
Dedos Nervosos e ágeis que percorrem
Cordas e um mundo de dolências geram,
Gemidos, prantos, que no espaço morrem...

E sons soturnos, suspiradas magoas,
Mágoas amargas e melancolias,
No sussurro monótono das águas,
Noturnamente, entre ramagens frias.

Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.

Tudo nas cordas dos violões ecoa
E vibra e se contorce no ar, convulso...
Tudo na noite, tudo clama e voa
Sob a febril agitação de um pulso.

Que esses violões nevoentos e tristonhos
São ilhas de degredo atroz, funéreo,
Para onde vão, fatigadas do sonho
Almas que se abismaram no mistério.

Sons perdidos, nostálgicos, secretos,
Finas, diluídas, vaporosas brumas,
Longo desolamento dos inquietos
Navios a vagar a flor de espumas.

Oh! languidez, languidez infinita,
Nebulosas de sons e de queixumes,
Vibrado coração de ânsia esquisita
E de gritos felinos de ciúmes!

Que encantos acres nos vadios rotos
Quando em toscos violões, por lentas horas,
Vibram, com a graça virgem dos garotos,
Um concerto de lágrimas sonoras!

Quando uma voz, em trêmolos, incerta,
Palpitando no espaço, ondula, ondeia,
E o canto sobe para a flor deserta
Soturna e singular da lua cheia.

Quando as estrelas mágicas florescem,
E no silêncio astral da Imensidade
Por lagos encantados adormecem
As pálidas ninféias da Saudade!

Como me embala toda essa pungência,
Essas lacerações como me embalam,
Como abrem asas brancas de clemência
As harmonias dos Violões que falam!

Que graça ideal, amargamente triste,
Nos lânguidos bordões plangendo passa...
Quanta melancolia de anjo existe
Nas visões melodiosas dessa graça.

Que céu, que inferno, que profundo inferno,
Que ouros, que azuis, que lágrimas, que risos,
Quanto magoado sentimento eterno
Nesses ritmos trêmulos e indecisos...


Que anelos sexuais de monjas belas
Nas ciliciadas carnes tentadoras,
Vagando no recôndito das celas,
Por entre as ânsias dilaceradoras...


Quanta plebéia castidade obscura
Vegetando e morrendo sobre a lama,
Proliferando sobre a lama impura,
Como em perpétuos turbilhões de chama.

Que procissão sinistra de caveiras,
De espectros, pelas sombras mortas, mudas.
Que montanhas de dor, que cordilheiras
De agonias aspérrimas e agudas.

Véus neblinosos, longos véus de viúvas
Enclausuradas nos ferais desterros
Errando aos sóis, aos vendavais e às chuvas,
Sob abóbadas lúgubres de enterros;

Velhinhas quedas e velhinhos quedos
Cegas, cegos, velhinhas e velhinhos
Sepulcros vivos de senis segredos,
Eternamente a caminhar sozinhos;

E na expressão de quem se vai sorrindo,
Com as mãos bem juntas e com os pés bem juntos
E um lenço preto o queixo comprimindo,
Passam todos os lívidos defuntos...

E como que há histéricos espasmos
na mão que esses violões agita, largos...
E o som sombrio é feito de sarcasmos
E de Sonambulismos e letargos.

Fantasmas de galés de anos profundos
Na prisão celular atormentados,
Sentindo nos violões os velhos mundos
Da lembrança fiel de áureos passados;

Meigos perfis de tísicos dolentes
Que eu vi dentre os vilões errar gemendo,
Prostituídos de outrora, nas serpentes
Dos vícios infernais desfalecendo;

Tipos intonsos, esgrouviados, tortos,
Das luas tardas sob o beijo níveo,
Para os enterros dos seus sonhos mortos
Nas queixas dos violões buscando alivio;

Corpos frágeis, quebrados, doloridos,
Frouxos, dormentes, adormidos, langues
Na degenerescência dos vencidos
De toda a geração, todos os sangues;

Marinheiros que o mar tornou mais fortes,
Como que feitos de um poder extremo
Para vencer a convulsão das mortes,
Dos temporais o temporal supremo;

Veteranos de todas as campanhas,
Enrugados por fundas cicatrizes,
Procuram nos violões horas estranhas,
Vagos aromas, cândidos, felizes.

Ébrios antigos, vagabundos velhos,
Torvos despojos da miséria humana,
Têm nos violões secretos Evangelhos,
Toda a Bíblia fatal da dor insana.

Enxovalhados, tábidos palhaços
De carapuças, máscaras e gestos
Lentos e lassos, lúbricos, devassos,
Lembrando a florescência dos incestos;

Todas as ironias suspirantes
Que ondulam no ridículo das vidas,
Caricaturas tétricas e errantes
Dos malditos, dos réus, dos suicidas;

Toda essa labiríntica nevrose
Das virgens nos românticos enleios;
Os ocasos do Amor, toda a clorose
Que ocultamente lhes lacera os seios;

Toda a mórbida música plebéia
De requebros de faunos e ondas lascivas;
A langue, mole e morna melopéia
Das valsas alanceadas, convulsivas;

Tudo isso, num grotesco desconforme,
Em ais de dor, em contorsões de açoites,
Revive nos violões, acorda e dorme
Através do luar das meias noites!

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10 Re: Depósito de Textos Literários em Sab Mar 10, 2012 8:50 pm

Renato Luiz

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Só eu curto o Cruz e Souza Foreveralone

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11 Re: Depósito de Textos Literários em Sab Mar 10, 2012 8:54 pm

Mydland

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Eu queria postar um trecho de Moby Dick que eu achei interessante.

12 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Mar 11, 2012 6:34 pm

Renato Luiz

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Ismália - Alphonsus de Gumaraens

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar
Estava perto do céu,
Estava longe do mar

E como um anjo pendeu
As asas para voar
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar.

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13 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Mar 11, 2012 6:37 pm

VitorISB

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Ódio É Meu Combustivel
Uma cultura envenenada - Baseada em mentiras, guerra e engano
A filosofia de um matadouro - Açougueiros cruéis são difíceis de derrubar
A lei do jogo - É a lei da lamina ensanguentada
Ditado pela loucura - Esta é a falha da morte serena


Guerra - Como a essência de uma vida dolorosa
Decadência - A corrente da agonia da morte irá trajetar


Ódio - Ódio é meu combustível
A mafiá é apenas um objeto
Ódio - Ódio é meu combustível
Eu sou o lorde da desordem

A morte nos trouxe juntos como um - O sentimento de ser o segundo para nenhum
Vergonhoso deveria ser o guloso - O que faz um gênio real ?
Apague todos os tesouros - Apague toda a fama, afluência e riqueza
Reconheça a vida após a liberdade - não será baseado em disfarces


Guerra - Como a essência de uma vida dolorosa
Decadência - A corrente da agonia da morte irá trajetar


Ódio - Ódio é meu combustível
A mafiá é apenas um objeto
Ódio - Ódio é meu combustível
Eu sou o lorde da desordem

Insanidade - nós estupramos, quebramos e então - Nós procuramos por uma desculpa
Decadente - Nós todos vamos apodrecer, todos nós somos os mesmos no cruzeiro final
Modéstia - É tão difícil encontrar, isto é uma maldição - Isto é real ?
Consistência - É um presente da vida, Educação é o negócio.


Ódio - Ódio é meu combustível
A mafiá é apenas um objeto
Ódio - Ódio é meu combustível
Eu sou o lorde da desordem

14 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Mar 11, 2012 10:56 pm

Renato Luiz

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Vaso Grego - Alberto de Oliveira

Esta, de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.

Era o poeta de Teos que a suspendia
Então e, ora repleta ora esvazada,
A taça amiga aos dedos seus tinia
Toda de roxas pétalas colmada.

Depois. Mas o lavor da taça admira,
Toca-a, e, do ouvido aproximando-a, às bordas
Finas hás de lhe ouvir, canora e doce,

Ignota voz, qual sê da antiga lira
Fosse a encantada música das cordas,
Qual se essa a voz de Anacreonte fosse

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15 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Mar 11, 2012 11:24 pm

Álvaro Headbanger

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Imagens piscando na minha tela
Mostradas muito rapidamente para serem vistas
Não são registradas em minha mente consciente
Propaganda de outro tipo
Eles estão me fodendo subliminarmente
Eles estão me fodendo subliminarmente

Perigo-pesadelo
Dia do Julgamento-pesadelo
Assassinato-pesadelo
Pesadelo-pesadelo

Assistindo TV, eu começo a chorar
Por nenhuma razão, eu não sei por que
Poderia ser a partir das mensagens na minha TV
Que eu estou ficando subliminar?
Eles estão me fodendo subliminarmente
Eles estão me fodendo subliminarmente

Controle da mente é a maneira mais fácil
Patrocinado pela CIA
É uma arma que você não pode ver
Isso é propaganda subliminar
Eles estão me fodendo subliminarmente
Eles estão me fodendo subliminarmente

16 Re: Depósito de Textos Literários em Seg Mar 12, 2012 12:50 pm

Álvaro Headbanger

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A lua dançava com a boca quebrada
Em cima da poça de lama
A ambulância passou gritando,
Os cães faziam rosnando
E você com o seu jeito de olhar
Traga os seus pedidos
E a sua consciência morta
Empacote a sua ansiedade
Deixe em frente a minha porta
Você com seu jeito, você tão sem jeito
Você com o seu jeito de olhar
A chuva castigava com sua raiva molhada
O rico, o cego e o inocente
A noite já vai derreter
E eu não sei o que fazer
Com você e o seu jeito de olhar
Traga o seu exagero, traga o seu machado
Venha com sua tempestade
Desabe sobre o meu telhado

Você com seu jeito, você tão sem jeito
Você com o seu jeito de olhar
O sol enfim chegou cansado,
Mas ficou do seu lado
Como um gato, uma arma ou um anjo
Era como se entendesse e tivesse interesse
Em você e o seu jeito de olhar
Então venha tropeçando como quem não tem opção
Traga todos os espécimes que habitam o seu coração
Você com seu jeito, você tão sem jeito
Você com o seu jeito de olhar

as mina pira nessa música

17 Re: Depósito de Textos Literários em Seg Mar 12, 2012 12:56 pm

Renato Luiz

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Amor - Álvares de Azevedo

Vem, anjo, minha donzela,
Minha alma, meu coração!
Que noite, que noite bela!
Como é doce a viração!

E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!

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18 Re: Depósito de Textos Literários em Seg Mar 12, 2012 1:08 pm

Renato Luiz

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Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo....
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!

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19 Re: Depósito de Textos Literários em Seg Mar 12, 2012 1:10 pm

@StreetPreachers

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Uma pequena garota entre 8 e 9 anos em um vestido branco está andando pelas ruas da vizinhança balançando uma bola vermelha. Enquanto ela se aproxima de uma casa obviamente deserta com um aspecto sinistro, sua atenção desvia da bola para a casa. Se prestar atenção aos seus movimentos, a bola bate no meio-fio e ricocheteia na frente da casa Conforme ela persegue a bola adquire movimentos não naturais e vai em direção a grande porta frontal. A pequena garota para por um momento, olha para a casa que agora parece estar encarando-a, e cuidadosamente entra na casa a procura de sua pequena bola vermelha. Conforme ela lentamente entra no átrio, ela observa a bagunça decadente do que um dia foi obviamente uma bela mansão Ela fica hipnotizada pelo requintado detalhe de cada centímetro do corrimão da aparentemente interminável escada em sua frente. De repente seus pensamentos são interrompidos por uma horripilante confusão. Ela se vira para correr até a porta da frente, mas encontra apenas uma parede vazia onde a porta estava; Assustada ela desce correndo para a primeira entrada que vê, tentando desesperadamente encontrar uma saída, mas a cada virada o mundo atrás dela muda se vontade para a vontade da casa, assim até encontrar um caminho de volta para o atrio que ela estava se torna impossível. Aterrorizada, a pequena garotinha se encolhe em um canto, abaixa sua cabeça em suas mãos e começa a chorar.

10 anos depois....

A pequena garota acorda em pânico, agora uma jovem mulher... suja, assustada. Ela está agora vestida com calças pretas, botas de trabalho. Sua pele está pálida e suja. O sol não ilumina sua carne a uma década. Ela acorda para procurar sua refeição, localizada numa bandeja de prata suja atrás dela, somente o suficiente pra manter-se viva, assim como todas as manhãs. Colocada lá por uma figura que ela apenas pode ver de passagem, por um canto, atravessando uma porta... Uma figura que se tornou seu único amigo e seu único ódio. Toda a sua existência se tornou nada mais que perseguir e destroir essa sombra que a mantém ali. Conforme ela o persegue continuamente dia após dia, ela se perde na dicotomia do seu ser. Essa coisa q a mantém ali, essa pessoa que repetidamente viola sua mente e a observa dormir, se tornou seu único amigo. Se não fosse essa pessoa que restou, que ela deixaria de existir. Ela vive apenas para matá-lo. Mas vive somente GRAÇAS a ele. Todos os dias a casa muda ao seu redor, assim todos os dias ela acorda em um lugar desconhecido. A única coisa constante... é ele. Ela escuta o coração dele batendo, ela sente seu cheiro, ela pode apenas imaginar encontrá-lo, mas ele também é a única coisa que ela sabe do amor.

Já melhorei esse conto do Evanescence, mas perdi a o texto, então vai essa versão podre que eles contam pros fãs.

https://www.skoob.com.br/usuario/3850039

20 Re: Depósito de Textos Literários em Ter Mar 13, 2012 12:54 am

Renato Luiz

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A Baleia e o Vaso de Petúnias


Trecho retirado do livro O Guia dos Mochileiros das Galáxia, de Douglas Adams, contendo o monólogo interior de dois mísseis repentinamete tranformados em uma baleia e em um vaso de petúnias.

_____________________________________________________________________________________________________________________________________

Também não se falou mais no fato de que, contra todas as probabilidades, uma cachalote havia de repente se materializado muitos quilômetros acima da superfície de um planeta estranho.
E como não é este o ambiente natural das baleias em geral, a pobre e inocente criatura teve pouco tempo para se dar conta de sua identidade “enquanto” cachalote, pois logo em seguida teve de se dar conta de sua identidade “enquanto” cachalote morto.
Segue-se um registro completo de toda a vida mental dessa criatura, do momento em que ela passou a existir até o momento em que ela deixou de existir.
- Ah…! o que está acontecendo?, pensou o cachalote.
- Ah, desculpe, mas quem sou eu?
-Ei!
- Por que estou aqui? Qual minha razão de ser?
- O que significa perguntar quem sou eu?
Calma, calma, vamos ver…ah! Que sensação interessante, o que é? É como… bocejar, uma cócega na minha.. minha…bem, é melhor começar a dar nome as coisa para eu poder fazer algum progresso nisto que, para fins daquilo que vou chamar de discussão, vou chamar de mundo. Então vamos dizer que esta seja a minha barriga
Bom. Ah, está ficando muito forte. E que barulhão é esse passando por aquilo que resolvi chamar de minha cabeça? Talvez um bom nome seja… vento! Será mesmo um bom nome? Que seja… talvez eu ache um nome melhor depois, quando eu descobrir para que ele serve. Deve ser uma coisa muito importante, porque tem muito disso no mundo. Epa! Que diabo é isso? É… vamos chamar essa coisa de rabo. Isso, rabo. Epa, eu posso mexê-lo bastante! Oba! Oba! Que barato! Não parece servir para muita coisa, mas um dia eu descubro pra que ele serve. Bem, será que eu já tenho uma visão coerente das coisas?
Não.
Não faz mal. Isso é tão interessante, tanta coisa pra descobrir, tanta coisa boa por vir, estou tonto de expectativa…
Ou será o vento?
Puxa, realmente tem vento demais aqui, não é?
E puxa! Que é essa coisa se aproximando de mim tão depressa? Tão depressa. Tão grande e chata e redonda, tão… tão.. Merece um nome bem forte, um nome tão… tão… chão! É isso! Eis um bom nome: chão!
Será que eu vou fazer amizade com ele?
E o resto – após um baque súbito e úmido – é silêncio.
Curiosamente, a única que passou pela mente do vaso de petúnias ao cair foi: Ah, não, outra vez! Muitas pessoas meditaram sobre esse fato e concluíram que, se soubéssemos exatamente por que o vaso de petúnias pensou isso, saberíamos muito mais a respeito da natureza do Universo que sabemos atualmente.



Última edição por @RenatoStark em Ter Mar 13, 2012 12:41 pm, editado 1 vez(es)

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21 Re: Depósito de Textos Literários em Ter Mar 13, 2012 9:42 am

Tays

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O Mosquito

Satânico é meu pensamento a teu respeito, e ardente é o meu desejo de apertar-te em minha mão, numa sede de vingança incontestável pelo que me fizeste ontem. A noite era quente e calma, e eu estava em minha cama, quando, sorrateiramente, te aproximaste. Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nu, sem o mínimo pudor! Percebendo minha aparente indiferença,aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos.
Até nos mais íntimos lugares. Eu adormeci.
Hoje quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente, mas em vão.
Deixaste em meu corpo e no lençol provas irrefutáveis do que entre nós ocorreu durante a noite.
Esta noite recolho-me mais cedo, para na mesma cama, te esperar. Quando chegares, quero te agarrar com avidez e força. Quero te apertar com todas as forças de minhas mãos. Só descansarei quando vir sair o sangue quente do seu corpo.
Só assim, livrar-me-ei de ti, pernilongo Filho da Puta!!!!


Carlos Drummond de Andrade

22 Re: Depósito de Textos Literários em Ter Mar 13, 2012 10:13 am

White

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Slayer

Spoiler:
SlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayer

http://www.rockandtudo.com

23 Re: Depósito de Textos Literários em Ter Mar 13, 2012 12:36 pm

Rocky

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BONS DIAS! 1989 - Machado de Assis

Vi não me lembra onde...
É meu costume; quando não tenho que fazer em casa, ir por esse mundo de Cristo, se assim se pode chamar à cidade de São Sebastião, matar o tempo.

Não conheço melhor ofício, mormente se a gente se mete por bairros excêntricos; um homem, uma tabuleta, qualquer coisa basta a entreter o espírito, e a gente volta para casa "lesta e aguda", como se dizia em não sei que comédia antiga.

Naturalmente, cansadas as pernas, meto-me no primeiro Bond, que pode trazer-me à casa ou à Rua do Ouvidor, que é onde todos moramos. Se o Bond é dos que têm de ir por vias estreitas e atravancadas, torna-se um, verdadeiro obséquio do céu. De quando em quando, pára diante de uma carroça que despeja ou recolhe fardos. O cocheiro trava o carro, ata as rédeas, desce e acende um cigarro: o condutor desce também e vai dar uma vista de olhos ao obstáculo. Eu, e todos os veneráveis camelos da Arábia, vulgo passageiros, se estamos dizendo alguma coisa, calamo-nos para ruminar e esperar.

Ninguém sabe o que sou quando rumino. Posso dizer, sem medo de errar, que rumino muito melhor do que falo. A palestra é uma espécie de peneira, por onde a idéia sai com dificuldade, creio que mais fina, mas muito menos sincera. Ruminando, a idéia fica integra e livre. Sou mais profundo ruminando; e mais elevado também.

Ainda anteontem, aproveitando uma meia hora de Bond parado, lembrou-me não sei como o incêndio do club dos Tenentes do Diabo. Ruminei os episódios todos, entre eles os atos de generosidade tia parte das sociedades congêneres; e fiquei triste de não estar naquela primeira juventude, em que a alma se mostra capaz de sacrifícios e de bravura. Todas essas dedicações dão prova de uma solidariedade rara, grata ao coração.

Dois episódios, porém, me deram a medida do que valho, quando rumino. Toda a gente os leu separadamente; o leitor e eu fomos os únicos que os comparamos. Refiro-me, primeiramente, à ação daqueles sócios de outro club, que correram à casa que ardia, e, acudindo-lhes à lembrança os estandartes, bradaram que era preciso salvá-los. "Salvemos os estandartes!", e tê-lo-iam feito, a troco da vida de alguns, se não fossem impedidos a tempo. Era loucura, mas loucura sublime. Os estandartes são para eles o símbolo da associação, representam a honra comum, as glórias comuns, o espírito que os liga e perpetua.

Esse foi o primeiro episódio. Ao pé dele temos o do empregado que dormia, na sala. Acordou este, cercado de fumo, que o ia sufocando e matando. Ergueu-se, compreendeu tudo, estava perdido, era preciso fugir. Pegou em si e no livro da escrituração e correu pela escada abaixo. Comparai esses dois atos, a salvação dos estandartes e a salvação do livro, e tereis uma imagem completa do homem. Vós mesmos que me ledes sois outros tantos exemplos de conclusão. Uns dirão que o empregado, salvando o livro, salvou o sólido; o resto é obra de sirgueiro. Outros replicarão que a contabilidade pode ser reconstituída, mas que o estandarte, símbolo da associação, é também a sua alma; velho e chamuscado, valeria muito mais que o que possa sair agora' novo, de uma loja. Compará-lo-ão à bandeira de uma nação, que os soldados perdem no combate, ou trazem esfarrapada e gloriosa.

E todos vós tereis razão; sois as duas metades do homem formais o homem todo... Entretanto, isso que aí fica dito está longe da sublimidade com que o ruminei. Oh! Se todos ficássemos calados! Que imensidade de belas e grandes idéias! Que saraus excelentes! Que sessões de Câmara! Que magníficas viagens de bond!

Mas por onde é que eu tinha principiado? Ah! Uma coisa que vi, sem saber onde... Não me lembro se foi andando de bond; creio que não. Fosse onde fosse, no centro da cidade ou fora dela. Vi, à porta de algumas casas, esqueletos de gente postos em atitudes joviais. Sabem que o meu único defeito é ser piegas; venero os esqueletos, já porque o são, já porque o não sou. Não sei se me explico.

Tiro o chapéu às caveiras; gosto da respeitosa liberdade com que Hamlet fala à do bobo Yorick. Esqueletos de mostrador, fazendo guifonas, sejam eles de verdade ou não, é coisa que me aflige. Há tanta coisa gaiata por esse mundo, que não vale a pena ir ao outro arrancar de lá os que dormem. Não desconheço que esta minha pieguice ia melhor em verso, com toada de recitativo ao piano: Mas é que eu não faço versos; isto não é verso: Venha o esqueleto, mais tristonho e grave Bem como a ave, que fugiu do além...

Sim, ponhamos o esqueleto nos mostradores, mas sério, tão sério como se fosse o próprio esqueleto do nosso avô, por exemplo... Obrigá-lo a uma polca, habanera, lundu ou cracoviana... Cracoviana? Sim, leitora amiga, é uma dança muito antiga, que o nosso amigo João, cá de casa, executa maravilhosamente, no intervalo dos seus trabalhos. Quando acaba, diz-nos sempre, parodiando um trecho de Shakespeare:

"Há entre a vossa e a minha idade, muitas mais coisas do que sonha a vossa vã filosofia."

Boas noites.

24 Re: Depósito de Textos Literários em Ter Mar 13, 2012 2:43 pm

VitorISB

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White escreveu:Slayer

Spoiler:
SlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayerSlayer

25 Re: Depósito de Textos Literários em Sex Mar 16, 2012 6:43 pm

Renato Luiz

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Gregório de Matos

Ardor em firme coração nascido;
Pranto por belos olhos derramado;
Incêndio em mares de água disfarçado;
Rio de neve em fogo convertido:

Tu, que em um peito abrasas escondido;
Tu, que em um rosto corres desatado;
Quando fogo, em cristais aprisionado;
Quando cristal em chamas derretido.

Se és fogo, como passas brandamente,
se és fogo, como queimas com porfia?
Mas ai, que andou Amor em ti prudente!

Pois para temperar a tirania,
Como quis que aqui fosse a neve ardente,
Permitiu parecesse a chama fria.

http://egocerebral.blogspot.com

26 Re: Depósito de Textos Literários em Sab Mar 31, 2012 12:20 am

Renato Luiz

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A musica da Morte - Cruz e Souza

A musica da Morte, a nebulosa,
Estranha, imensa musica sombria,
Passa a tremer pela minh’alma e fria
Gela, fica a tremer, maravilhosa...

Onda nervosa e atroz, onda nervosa,
Letes sinistro e torvo da agonia,
Recresce a lancinante sinfonia,
Sobe, numa volúpia dolorosa...

Sobe, recresce, tumultuando e amarga,
Tremenda, absurda, imponderada e larga,
De pavores e trevas alucina...

E alucinando e em trevas delirando,
Como um Ópio letal, vertiginando,
Os meus nervos, letárgica, fascina...

http://egocerebral.blogspot.com

27 Re: Depósito de Textos Literários em Sab Mar 31, 2012 10:25 am

A.L.

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The Hollow Men:

T. S. Eliot escreveu:Nós somos os homens vazios
Nós somos os homens de palha
Apoiados uns nos outros
A parte da cabeça cheia de palha. Ai
As nossas vozes foram secas e quando
Juntos sussurramos
São serenas e sem sentido
Como vento em erva seca
Ou pés de ratos sobre vidro partido
Na secura da nossa cave
Molde sem forma, tonalidade sem cor,
Força paralisada, gesto sem movimento;
Os que cruzaram
Com os olhos certeiros, para o outro reino da morte
Lembram-se de nós - quem sabe - não de
Violentas almas perdidas, mas somente
De homens vazios
Homens de palha.

Olhos que não ouso encontrar em sonhos
No imaginário reino da morte
Esses não aparecem:
Aí, os olhos são
Luz do sol numa coluna quebrada
Aí, uma árvore balouça
E há vozes
No cantar do vento
Mais distantes e mais solenes

Que uma estrela em fuga
Sem estar mais perto
No imaginário reino da morte
Que eu use também
Disfarces deliberados
Pêlo de rato, pele de corvo, estacas em cruz
Numa seara
Portar-me como o vento se porta
Mais perto não,
Não esse encontro final
No reino crepuscular

Esta é a terra morta
Esta é a terra de cactos
Aqui as imagens de pedra
Erguem-se, aqui recebem
Em súplica a mão do morto
Na fuga de uma estrela que cintila.
Será mesmo assim
No outro reino da morte
Acordar sozinho na hora em que
Trememos de ternura
Os lábios capazes de um beijo
Formam preces a pedras quebradas.

Os olhos não estão aqui
Não há olhos aqui
Neste vale de estrelas a morrer

Neste vale vazio
Este queixo quebrado dos nossos reinos perdidos
Neste último dos lugares de encontro
Em conjunto tacteamos
E evitamos a fala
Amontoados nesta praia do túmido rio
Sem ver, a menos que
Reapareçam os olhos
Como a estrela perpétua
Rosa multifoliada
Do reino crepuscular da morte
A esperança só
De homens ocos.

Aqui nós vamos em volta da opúncia
Opúncia, opúncia
Aqui nós vamos em volta da opúncia
Às cinco horas da manhã.

Entre a idéia
E a realidade
Entre o movimento
E o ato
Cai a Sombra
Pois Teu é o reino

Entre a concepção
E a criação
Entre a emoção
E a resposta
Cai a Sombra
A vida é muito longa

Entre o desejo
E o espasmo
Entre a potência
E a existência
Entre a essência
E a descida
Cai a Sombra
Pois Teu é o reino

Pois Teu é
A vida é
Pois teu é o

Esta é a maneira que o mundo acaba
Esta é a maneira que o mundo acaba
Esta é a maneira que o mundo acaba
Não com um estrondo, mas um gemido.



Última edição por A.L. em Dom Dez 13, 2015 1:30 am, editado 2 vez(es)

28 Re: Depósito de Textos Literários em Sab Mar 31, 2012 6:35 pm

Madruguis Extremis

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Glam Pagode e Rap
Psicodélico são
estilos fulminantes
graças a
esterilização do
Metal na vida das
pessoas renegadas
mentalmente por
marionetes
gritantes sobre o
que significa o
Blues atualmente
para a mente de
quem acha que
estéticamente o
Metal varia
independentement
e de ser Southern
ou Gothic,
resultando no fim
da sociedade
musical que se diz
bem em relação a
variedade de
opções
dependentes ou
indepententes
musicalmente
quando na verdade
a música decai, o
Hard e o Heavy
desaparecem
instantaneamente
da sociedade atual,
qual sua
conclusão?

Madruguis.

29 Re: Depósito de Textos Literários em Sab Mar 31, 2012 6:48 pm

Madruguis Extremis

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Isso me faz pensar o quão errado é o conceito musical atual, distinguir música de "barulho" está ficando mais difícil a cada dia, nossa música decaiu de qualidade a ponto de gemidos e ruídos serem considerados canções. Olhe à sua volta, veja que o mundo não é nada sem a música, "a música move nações" e isso depende de nós. Isso tudo é efeito da modernização, quanto mais tempo se passa mais a música desaparece, abra seus olhos e compare a música atual com a de algumas décadas atrás, aonde estão as letras que tanto comoviam as pessoas?! Aonde está aquela sinfonia que ouviamos e nos faziam parar e pensar no mundo?! Elvis abriu as portas, os Beatles deram o passo adiante, mas, parece que as portas estão se fechando para nunca mais serem abertas. Não damos valor à música que realmente muda o mundo, o Rock And Roll.


- War (Madruguis Extremis). :ohyeah

30 Re: Depósito de Textos Literários em Dom Abr 01, 2012 12:56 pm

Madruguis Extremis

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Trintaeseven

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